“Os dois indivíduos são, de fato, moradores de Ontário e estão sendo monitorados ativamente, trabalhando diariamente com as autoridades locais de saúde pública para garantir que o isolamento esteja sendo cumprido”, afirmou a ministra da Saúde de Ontário, Sylvia Jones, em coletiva.
Segundo a ministra, o isolamento começou logo após o retorno dos passageiros ao Canadá, depois da identificação do surto no navio em que estavam. “Estamos recebendo atualizações regulares não apenas sobre esses dois indivíduos, mas também nos preparando para verificar se há outras pessoas que possam retornar ao Canadá e a Ontário”, disse.
A chefe da pasta ainda explicou que o período de incubação e monitoramento deve durar cerca de 30 dias. “Quero tranquilizá-los de que esse acompanhamento já está em andamento desde o momento em que eles voltaram para Ontário e ocorre diariamente”, completou.
Em nota divulgada no X, a ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, confirmou que o terceiro cidadão monitorado está em Quebec e também segue em isolamento.
Segundo Anand, o terceiro canadense viajou no mesmo voo dos outros dois passageiros e pode ter tido contato com uma pessoa sintomática.
“Podemos confirmar que dois canadenses que estavam na embarcação retornaram para casa antes de o surto ser identificado pela primeira vez, junto com um canadense que não estava no navio, mas que esteve no mesmo voo e pode ter tido contato com uma pessoa sintomática. Esse indivíduo não é considerado um contato próximo de alto risco pela Organização Mundial da Saúde”, escreveu a ministra.
As autoridades canadenses afirmaram que os três permanecem assintomáticos, seguem em autoisolamento e são monitorados pelas autoridades locais de saúde quanto ao possível desenvolvimento de sintomas.
Surto de hantavírus
O cruzeiro Hondius, da empresa holandesa Oceanwide Expeditions, que registrou um surto de hantavírus entre os passageiros, saiu em 1º de abril de Ushuaia, no sul da Argentina.
De acordo com anúncio do governo espanhol divulgado nesta sexta-feira (8), a embarcação segue para Tenerife, nas Ilhas Canárias, onde deve chegar no domingo (10).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou três mortes por hantavírus no MV Hondius e registrou cinco casos suspeitos da doença.
“Trata-se de um vírus perigoso, mas unicamente para a pessoa realmente infetada. Quanto ao risco para a população em geral, continua sendo extremamente baixo”, declarou à imprensa em Genebra um porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.
O que é o hantavírus?
De acordo com o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose viral aguda que, no Brasil, se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), um quadro grave que pode comprometer o sistema respiratório e cardiovascular.
O vírus pertence à família Hantaviridae e tem como reservatórios naturais roedores silvestres, que eliminam o agente infeccioso pela urina, fezes e saliva sem apresentar sintomas ao longo da vida.
A transmissão para humanos ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de aerossóis contaminados a partir das excretas desses animais. Também pode acontecer por contato direto com mucosas — como olhos, boca e nariz —, por ferimentos na pele ou mordidas de roedores.
Embora rara, a transmissão entre pessoas já foi registrada em países como Argentina e Chile, associada a um tipo específico do vírus.
*Com informações da AFP




